Os "iluminados" da política mundial
Por Tiago Devezas Barros - A Praça Independente

O mundo atravessa uma fase de transição. A campanha publicitária realizada pelas forças de direita, seja a partir de populismos que convencem população descontente ou das redes sociais, tornou o impensável na realidade, que se vive há sensivelmente dois anos, pois o sentimento de pertença política estava dependente das novas formas de pensar, mais progressistas, mais de esquerda. O wokismo, o uso do vegetarianismo como plataforma de apoio à defesa dos animais, as forças de intervenção, ou seja, os ativistas, da defesa do meio ambiente, pareciam enraizar-se na sociedade. Porém, não demorou muito para os movimentos conservadores mudarem o paradigma.
Obviamente que todas as polémicas que envolvem progressismo ecoam nos media mundiais e captam as forças ultraconservadoras, os demagogos e os populistas (embora estes dois últimos se confundam em grande parte das vezes). Portugal não é exceção. Sendo um dos países mais envelhecidos, a par da Itália (que entretanto já virou ao conservadorismo exacerbado do partido de Meloni), um dos mais religiosos (apesar de laico), tem todas as nuances para se tornar, nos próximos anos, uma das nações em que o extremismo aqui abordado esteja com maior representação.

A política internacional está ao rubro: a Europa foi "tomada de assalto" por uma vaga consistente de vitórias eleitorais de partidos de direita, que se verificou nas recetes eleições europeias de 9 de junho, com mais uma vez o PPE a vencê-las. Porém, a demografia dos mapas eleitorais ficou tingida ainda mais de azul, comparada com as da eleição anterior, de 2019. Aí, Portugal foi a exceção. Apesar da vitória da Aliança Democrática (centro-direita – coligação entre PSD, CDS, membros do PPE) nas eleições legislativas de 10 de março, o Partido Socialista (centro-esquerda, membro do S&D) revelou-se o vencedor da eleição, contrariando a crescente adesão a políticas de direita. O pano de fundo político em França não é, de todo, o mais recomendado. O presidente francês vive tempos de incerteza nas decisões, numa altura em que o governo do partido Os Republicanos caiu, deixando na mão do presidente Macron a possibilidade de novas eleições. A grande beneficiária desta instabilidade política é Marine Le Pen, candidata de extrema-direita, que vem já há alguns anos a ameaçar a continuidade dos partidos moderados.
Estes "iluminados", que se dizem dotados da solução para o caos que assola a Europa, propagam os seus ideais utópicos através de populismos fúteis, mas convincentes. A história repete-se: Hitler ascendeu ao poder graças ao populismo e à campanha de propaganda que elegeu como prioridade para captar a atenção das pessoas. Mussolini utilizou a mesma "tática", Salazar difundiu a sua ideologia através do mesmo meio, e popularizou-a quando já estava como presidente do Conselho de Ministros.
Com a mira virada para o futuro, para os ideais antidemocráticos, e, sobretudo, para o populismo a favor de ideologias conservadoras, estes "iluminados" apenas tem um objetivo: controlar os países do mundo, as organizações e principalmente, o povo.
